A violência e seus componentes

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável

Todos os dias, sem exceção, a opinião pública recebe e difunde altas dosagens de violências de vários tipos. Essa violência é transformada imediatamente em grande campo de exploração ideológica e em mais um objeto de consumo. E vai retroalimentando outras formas de violência, das quais as mais evidentes são aquelas ligadas ao consumo dos objetos. Seu verbo preferencial é o verbo “er”, com os seus correlatos, a começar por “possuir”, “dominar”, “controlar” e “poder”. O filósofo Jean Baudrillard aprofunda o conceito de “sociedade de consumo”. Neste sentido mais amplo, a expressão reproduz e multiplica o conceito por todos os lugares ocupados pela vida humana. Vamos brevemente relembrar os vários tipos de violência; a primeira delas é a violência estrutural. Esse conceito é trabalhado por vários cientistas sociais entre eles Edgar Morin. Ela provém das próprias estruturas sócio-políticas, econômicas, axiológicas e filosóficas dos modelos e dos valores atualmente vigentes. A violência estrutural é um complexo de influências que se inter cruzam historicamente. Todos conhecem a história do sistema colonial e da violência como foi implantada. Hoje, ela se esconde nos bastidores das notícias, das bolsas de valores e na destruição do meio ambiente e no modus operandi da grande mídia neste campo específico, a primeira violência cometida contra os consumidores vem da mentira sobre os fatos. Vem sobre tudo, da omissão a respeito de todos os aspectos dos acontecimentos. A grande mídia omite os fatos e quando os divulga faz isso de modo parcial e essa parcialidade só prejudica a cidadania. Porque isso acontece? Porque, os donos da impressa e boa parte de seus editores (não todos evidentemente) dão-se ao direito de selecionar o que será prioritário para o leitor e para os telespectadores na agenda do momento seguinte, porque usei a expressão momento seguinte? Porque a divisão do tempo também assumiu um novo status. O horário da meia noite, por exemplo, e tão importante quanto ao três da tarde, outro caso típico é a divulgação dos eventos ligados ao golpe dissimulado que ainda dominam o Brasil. Uma boa parte da grande imprensa desconheceu a decisão da comissão de justiça do Senado Federal que decidiu em favor das eleições diretas presidenciais dentro de noventa dias depois de sancionada. (continua).

Dermi Azevedo

Uma publicação dos leigos e das leigas da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – Ano 1 número 3

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