TRUMP E O BRASIL

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável
A visão de Trump é a de que a situação brasileira é estável: tanto as forças armadas, quanto  as policiais, mantêm  controle total sobre as oposições. Só não conseguem intervir na sociedade para a redução da violência urbana cada vez mais desafiadora. Washington considera que os movimentos sociais brasileiros não exigem uma intervenção direta das forças norte-americanas, como acontece no Oriente Médio. Essa intervenção continuará sendo feita por meio da criminalização dos movimentos sociais urbanos e rurais. Esse é considerado o segundo nível de estratégias intervencionistas: o primeiro consiste numa presença relativamente leve d
O momento brasileiro pode ser visto agora a partir de, pelo menos, quatro diagnósticos com sua projeção e perspectivas: as visões norte-americana, a avaliação do governo Temer, a análise da chamada sociedade civil e a interpretação dos grupos e dos partidos de esquerda e de direita.
os EUA, já que o controle social e político das elites nacionais é quase absoluto.
Governo Temer
O presidente Temer confia no apoio “desinteressado” de seus colaboradores e correligionários. Ainda tem maioria no Congresso Nacional e uma forte influência no Poder Judiciário. Seu representante simbólico é o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O STF possivelmente terá um papel decisivo sobre o futuro do Governo Temer.
Sociedade Civil
O maior trunfo da sociedade civil organizada é o desgaste cada vez maior da imagem de Temer na opinião pública. Os seus melhores indicadores não passam de 10% com base na maioria das pesquisas. Se souber utilizar esse trunfo e se mantiver uma unidade estratégica em torno de bandeiras sociais e econômicas, a sociedade civil continuará avançando.
Esquerda
Aproximam-se cada vez mais as perspectivas da esquerda e da sociedade civil. Os partidos de esquerda estão desgastados e os da direita ainda mais desacreditados. No Congresso, os “democratas” estão com água na boca à espera de uma eventual queda de Temer. Se isto acontecer, a direita colocará no Planalto o seu líder, Rodrigo Maia. O principal desafio da esquerda é o de aprofundar a unidade entre as siglas dos oposicionistas.
Direita
Repressão nas cidades e massacres seletivos no campo (como aconteceu recentemente no Pará) representam a combinação perfeita no cenário brasileiro, na visão da direita. O caldo de cultura de toda essa direita é o racismo e o preconceito, cada vez mais presentes. Há talvez, uma boa notícia: a rede globo apresenta sinais de falência. Estava demorando muito. Revelou-se agora que o seu presidente, Roberto Marinho, fazia sempre uma recomendação aos jornalistas: “não quero no jornal nacional nem pretos, nem desdentados”.

A VIOLÊNCIA TOMOU CONTA DO PAÍS

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável
O Brasil, “gigante pela própria natureza”, como diz o Hino Nacional, agiganta-se também como um dos países mais violentos do mundo. As maiores vitímas são as crianças e os adolescentes, os jovens as mulheres e o cidadão/cidadã, que trasnformou esse assunto na sua maior preocupação cotidiana. A viôlencia contra a criança inclui desde a violência obstétrica até o abandono e os castigos físicos.

CRACOLÂNDIA

Uma mini- cidade ambulante, formada por homens e mulheres absolutamente submetidos à logica das drogas. É esse o perfil resumido da Cracolândia, no centro mais antigo da zona central de São Paulo, perto das estaçoes de metrô e do Palácio de Campos Elisios, onde funcionou até os anos 65, o governo estadual paulista.
O prefeito de São Paulo, João Dória, com o apoio do governador Geraldo Alckmin, mandou destruir a Cracolândia e seus frequentadores ficaram sem rumo e sem nenhuma perspectiva para sair desse inferno. A polícia reprimiu violentamente e as balas de efeito moral cumpriram se papel desmobilizador.

MULHERES

A violência contra a mulher no interior do Estado de SP supera, pelo menos 3 vezes, a da capital. Com o dobro da população em relação à capital, o interior de São Paulo, registra pelo menos três vezes mais casos de violência contra a mulher. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), no ano passado houve, em média, 3,5 tentativas de homicídio por mês contra mulheres na capital, ante 17,9 no interior (três vezes mais). Em relação às lesões corporais dolosas (quando há intenção de matar), a capital registrou 779 casos e o interior, 2.794 (três vezes e meia a mais). Já os casos de estupros consumados ficaram proporcionalmente iguais: média de 10 por mês na capital e de 20 no interior (duas vezes mais). Os homicídios que vitimaram as mulheres mantiveram a mesma proporção: 2,25 por mês na capital e 4,45 no interior (duas vezes mais).
Nos primeiros três meses de 2017, a violência contra a mulher no interior cresceu ainda mais, na comparação com os números da capital. Houve 2 tentativas de homicídio por mês em São Paulo e 16,3 no interior (oito vezes mais). A média mensal de lesões corporais em mulheres foi de 745 na capital e 2.971 no interior.

LUCAS

Periferia de Belém/Pa, Junho de 2017. Lucas, 16 anos, sai de casa para jogar bola com os colegas. Pouco depois chega a notícia: Seu corpo está abandonado com um tiro que o afastou definitivamente de sua vida adolescente, envolvido em pequenos delitos.

SEM TERRA

Pau D’ Arco, Município do Pará. 10 sem terra são assasinados a tiros. Antes, foram submetidos a torturas e a outros tratamentos cruéis e desumanos. Um deles teve os olhos arrancados e jogados na floresta segundo um dos poucos sobreviventes.

E VOCÊ!

Diante desses acontecimentos o que você faria? Você pensa que os culpados são as vitímas? Você acha que a sociedade também e responsável? O que você esta fazendo para ajudar a reduzir essa imensa onda de violência? Existe alguma relação entre a situação de violência crescente e a realidade dos imigrantes no Brasil?
(Do editor)

ECOLOGIA E DIREITOS HUMANOS (3)

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável

Degradação Social

A terra esta sendo degradada “pelas formas imediatistas de visão da economia”. Anualmente, milhares de espécies vegetais e animais desaparecem por causa da agressão do ser humano. Verifica-se um circulo vicioso em que a grande perdedora é a diversidade. As estradas os novos cultivos, as barragens e outras construções fragmentam-se de tal modo que as populações de animais não conseguem crescer.

Amazônia

Os pulmões do planeta – a Amazônia e a Bacia fluvial do Congo, assim como os grandes lençóis freáticos, representam muito para o presente e para o futuro da humanidade. O Papa adverte que é preciso impor um delicado equilíbrio, isto porque impõem-se enormes interesses econômicos internacional que “atentam contra as soberanias nacionais”. Pela primeira, vez em documentos deste tipo, um chefe de Igreja denuncia claramente as proposta de internacionalização da Amazônia aos interesses das corporações internacionais. Ele elogia também a atuação das ONGs que sensibilizam a opinião pública.

Os oceanos

A maior parte da água do planeta e da maioria dos seres vivos está sob ameaça. O uso inadequado destes recursos provoca a destruição de grande parte de a cadeia alimentar.

Qualidade de vida

O atual modelo de desenvolvimento afeta a vida das pessoas, como, por exemplo, o “crescimento desmedido” e a privatização dos espaços dificultam o acesso da cidadania aos bens de serviço. Essa perda da qualidade de vida reflete também na questão do trabalho, e na exclusão social. (continua)

Dermi Azevedo, Editor.

NEM A PRIMEIRA, NEM A ÚLTIMA.

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável

A vitória da direita no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por quatro a três não terá sido nem a primeira nem a última, na tentativa dos golpistas de legitimarem o golpe dissimulado. Quem imaginava que os golpistas já estivessem satisfeitos com o sinal dado à opinião pública por meio do mini-golpe militar da Esplanada dos Ministérios, uma verdadeira ópera bufa, começa hoje a semana com uma sensação de visualizar a vitória da mediocridade da direita mais atrasada, somente menos atrasada do que aquela que dominou o país, com metralhadoras e fuzis, de 1964 a 1985. Quem imaginava que a eleição feita pelo TSE fosse até algo tranquilo, agora tem que reconhecer o poder real das forças e dos capitais direitistas. Tem que admitir também que a articulação da esquerda não foi suficiente para disputar palmo a palmo a sorte da chapa Dilma/Temer. É doloroso admitir, mesmo hipoteticamente, que tenha havido algum acordo para manter a elegibilidade de Dilma e a permanência de Temer no Palácio do Planalto. Até porque, se isso for verdade, deslegitima a ex-presidenta para representar o povo trabalhador em qualquer um dos Estados.

E agora?

O único caminho que nos resta é o do fortalecimento da mobilização e da unidade populares. É o de repetir encontros como o que foi promovido, na semana passada, pelas Pastorais Sociais da Arquidiocese de São Paulo e pelas Entidades de Direitos Humanos somando-se ainda a essa iniciativa, as Igrejas Membros do (Conic) Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – IECLB, Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, IEAB, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Ortodoxa, (CNBB) Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, além de outras Igrejas filiadas a CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço. Um passo também muito importante é o de buscar e divulgar informações alternativas junto às agências populares de notícias. Do mesmo modo, convém entrar em sintonia com as principais lideranças políticas e intelectuais do Brasil, ouvindo e levando à prática atenta e fiel às suas observações e diretrizes. Ao PT, PC do B e aos demais agrupamentos de esquerda, como principal tarefa, cabe fazer auto-crítica de sua atuação durante os governos de Lula e Dilma e reformular completamente as táticas e as estratégias de atuação. Finalmente, a cada militante, cabe o desafio de autoanalisar o seu papel e de não entregar os pontos. As nossas palavras de ordem continuam as mesmas: “O Povo Unido, Jamais Será Vencido”, “Fora Temer!” e “Nenhum Direito a Menos!”

 

São Paulo, 10 de junho de 2017.

O Massacre de Pau D’ Arco – Pará, Mais Detalhes Cruéis e Desumanos

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável

A investigação paralela do massacre de 10 trabalhadores rurais sem terra, em   Pau D’ Arco – Pará, revelou que o crime foi premeditado e planejado com uma serie de detalhes cruéis e desumanos. Em primeiro lugar, os lavradores foram capturados um por um, sendo levados ate uma área desconhecida, onde foram submetidos a tortura e a outros maus tratos, um por um dos mortos foram trazidos em cima de um caminhão e foram jogados na área central da fazenda.

Desaparecidos
um numero incerto de trabalhadores continua desaparecido e estão sendo procurados pelas autoridades. Dos 10 mortos reconhecidos ate agora, sete pertenciam à mesma família, o comando geral do assassinato coube a um coronel da policia militar do estado do Pará. Dentro de um mês aproximadamente, os primeiros resultados deverão ser anunciados. ONGs de direitos humanos, comissões parlamentares e a policia federal, além das policias estaduais, fazem mais uma busca especifica dos desaparecidos. O local do crime foi descaracterizado.
Outros Casos
Segundo o deputado estadual Carlos Bordalo, do PT/Pa, o que houve na fazenda Santa Lucia ” não foi um confronto, mas sim uma barbárie”
Outros casos ocorridos no Pará ainda continuam sendo objeto de investigações nacionais e internacionais. São eles os assassinatos da religiosa católica, irmã Dorothy Stang que veio dos Estados Unidos para trabalhar com crianças pobres do Pará e do casal de ambientalistas José Claudio e Maria do Espirito Santo, assassinados em 2011.

ECOLOGIA E DIREITOS HUMANOS (3)

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável

Direitos Humanos e Ecologia

A exposição aos poluentes atmosféricos provocou milhões de mortes prematuras no mundo, afirma o papa Francisco na sua carta “Laudato Sí” Entre as causas dessas mortes, está a inalação de grandes quantidades de fumaça, causada pelo aquecimento, além da acidificação do solo e da água, pelos fertilizantes, inseticidas, fungicidas, pesticidas e agrotóxicos em geral.

Resíduos

Esses diagnósticos incluem também centenas de milhões de toneladas de lixo, as maiorias das quais não biodegradáveis, sobras domesticam e comerciais, detritos de demolições, de lixo químico, eletrônico e industrial, altamente tóxicos e radioativos. “A terra, nossa casa, parece transforma-se cada vez mais em um imenso deposito de lixo”. Os produtos químicos produzem um efeito de bioacumulação nos moradores das áreas limítrofes.

O Clima

A carta diz que o mundo enfrenta um preocupante aquecimento do sistema climático há a alta concentração de gases de efeito estufa (anidrido carbônico, metano, oxido de azoto) e outros gases emitidos pelo homem, só essa situação. O aquecimento da terra influi sobre o ciclo do carbono, afetando a água potável, a energia e a produção agrícola podendo levar à extinção de parte da biodiversidade do planeta. A subida do nível do mar é extremamente grave: um quanto da população mundial vive à beira-mar e as maiorias das mega cidades situam-se em áreas costeiras. As mudanças climáticas provocam problemas ambientais sociais e econômicos, distributivos e políticos.

Migrantes

Aumenta o numero de migrantes pobres “que são forçados a migrar com grande incerteza quanto ao futuro de sua vida e de seus filhos”. Na Europa, somente de janeiro a maio de 2017 morreram 1 milhão e 300 mil migrantes apenas no mar mediterrâneo e em outras fronteiras que já foram, há milênios, uma rota da esperança e da integração entre a Europa e a África.

Água

O próximo ano será marcado pela celebração do Ano Internacional da Água. Ao analisar a situação atual do planeta, Francisco preocupa-se com o esgotamento dos recursos naturais. Chama-se a nossa atenção para o esgotamento da água no planeta, sem que se tenha resolvido o drama da pobreza. Diz que água potável é uma questão indispensável para a vida humana. O controle da água por parte de grandes empresas

mundiais transformou-se numa das principais fontes de conflitos desse século. (continua).

Dermi Azevedo: Editor

Ecologia e Direitos Humanos (2)

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável

As Reflexões e os debates sobre a violência, hoje em dia, tendem a dar um destaque especial á relação entre o conceito de “casa comum” a violência e a luta por um meio ambiente saudável. Analisaremos hoje, de forma introdutória, as palavras chaves utilizadas pelo papa Francisco, em sua Carta Encíclica Laudato Sí sobre o cuidado da casa comum. Veremos que todo esse descuido gera a destruição progressiva do ser humano.

Casa Comum

O ser humano usa essa casa de forma irresponsável e abusiva. Pensa que é seu dono e dominador. A violência contra essa casa pode ser vista nas doenças do solo, da água, do ar, e dos seres vivos os mais atingidos são os pobres e os abandonados; a terra é oprimida e devastada; os homens e as mulheres esquecem que são parte da terra.

Crise Dramática

A atividade descontrolada do ser humano gera uma “crise dramática”. O homem e a mulher podem ser vitimas desta degradação. Lembra que a ONU adverte para o risco de uma catástrofe ecológica com a explosão da civilização industrial. Adverte que os grandes progressos científicos podem ser destruídos se não forem acompanhados por um progresso social e moral. Recorre a João Paulo II que denuncia projetos que servem apenas para fortalecer a sociedade de consumo. O meio ambiente é rapidamente devastado.

Coisa ou Sujeito?

Já Bento XVI diz que o ambiente moral também está doente; isto se deve à ideia de que a liberdade humana não tem limites. A sociedade do ter faz do ser humano uma coisa e a sociedade do ser busca considerá-lo como um objeto. Os camponeses do sul do Pará massacrados recentemente foram tratados como coisas ou como pessoas?

Dimensão Ecumênica

No aspecto ecumênico, Francisco apresenta uma síntese do pensamento do patriarca Bartolomeu da comunidade ortodoxa. Ao pedir que o planeta não seja maltratado Bartolomeu aponta a necessidade de cada um de se arrepender diante de sua contribuição pessoal para com esse processo de destruição. As soluções passam pela urgência da compreensão de que cometemos crimes cotidianos contra a natureza.

São Francisco de Assis

O santo de Assis é o exemplo máximo de uma ecologia integral, aberta para uma linguagem além das categorias cientificas e baseadas “na essência do ser humano”. Apela, em seguida, em favor do desenvolvimento sustentável e integral. “O mundo é algo mais do que um problema a resolver; é um mistério gozoso que contemplamos na alegria e no louvor”, diz o papa. Acrescenta que a família constitui um elemento central nesse processo e que os jovens exigem uma mudança e sonham com o futuro melhor.

Em casa

As rápidas mudanças na casa comum somam-se à aceleração de ritmos de vida e de trabalho. Essa rápida velocidade não se volta automaticamente para um desenvolvimento humano e sustentável. (continua).

A violência e seus componentes

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável

Todos os dias, sem exceção, a opinião pública recebe e difunde altas dosagens de violências de vários tipos. Essa violência é transformada imediatamente em grande campo de exploração ideológica e em mais um objeto de consumo. E vai retroalimentando outras formas de violência, das quais as mais evidentes são aquelas ligadas ao consumo dos objetos. Seu verbo preferencial é o verbo “er”, com os seus correlatos, a começar por “possuir”, “dominar”, “controlar” e “poder”. O filósofo Jean Baudrillard aprofunda o conceito de “sociedade de consumo”. Neste sentido mais amplo, a expressão reproduz e multiplica o conceito por todos os lugares ocupados pela vida humana. Vamos brevemente relembrar os vários tipos de violência; a primeira delas é a violência estrutural. Esse conceito é trabalhado por vários cientistas sociais entre eles Edgar Morin. Ela provém das próprias estruturas sócio-políticas, econômicas, axiológicas e filosóficas dos modelos e dos valores atualmente vigentes. A violência estrutural é um complexo de influências que se inter cruzam historicamente. Todos conhecem a história do sistema colonial e da violência como foi implantada. Hoje, ela se esconde nos bastidores das notícias, das bolsas de valores e na destruição do meio ambiente e no modus operandi da grande mídia neste campo específico, a primeira violência cometida contra os consumidores vem da mentira sobre os fatos. Vem sobre tudo, da omissão a respeito de todos os aspectos dos acontecimentos. A grande mídia omite os fatos e quando os divulga faz isso de modo parcial e essa parcialidade só prejudica a cidadania. Porque isso acontece? Porque, os donos da impressa e boa parte de seus editores (não todos evidentemente) dão-se ao direito de selecionar o que será prioritário para o leitor e para os telespectadores na agenda do momento seguinte, porque usei a expressão momento seguinte? Porque a divisão do tempo também assumiu um novo status. O horário da meia noite, por exemplo, e tão importante quanto ao três da tarde, outro caso típico é a divulgação dos eventos ligados ao golpe dissimulado que ainda dominam o Brasil. Uma boa parte da grande imprensa desconheceu a decisão da comissão de justiça do Senado Federal que decidiu em favor das eleições diretas presidenciais dentro de noventa dias depois de sancionada. (continua).

Dermi Azevedo

Uma publicação dos leigos e das leigas da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – Ano 1 número 3

Cracolândias: ficção e realidade

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável

Uma cena comum em praticamente todas as regiões paulistanas: o porteiro abre o edifício em que trabalha e encontra um homem sujo e mal vestido que está com fome; a religiosa faz a mesma coisa em seu convento e se encontra com uma mulher desesperada e sem nenhuma ideia do que vai fazer na vida; o guarda de segurança aponta o seu revolver para um jovem que acaba de cair no portão da empresa em que trabalha…

Esses cinco personagens representam, não cenas teatrais, nem trechos de livros de ficção, mas, seres reais e concretos. São as vítimas do grande drama do narcotráfico que é a praga dominante, desde os anos 90, em São Paulo. Esses homens e mulheres acabam de perder a sua principal referência de espaço e de tempo. As cracolândias. Esses agrupamentos urbanos fogem de qualquer definição antropológica ou geohumana. Até hoje as ciências sociais só foram capazes de registrar a conversa dos cientistas com os moradores desses trechos de ruas e de calçadas maltratados pelo tempo.

Cada Prefeito ou Prefeita eleito de São Paulo tenta implementar políticas que nos primeiros dias dão algum resultado na resocialização dessas pessoas. O atual Prefeito João Dória optou por uma política repressiva nesta área e o que mais se vê são centenas de guardas municipais e policiais militares que executam ordens de seus comandantes e que não hesitam em bater nas pessoas dependentes de drogas, tudo parece surreal… Não há propriamente vivos e mortos. O que existe são personagens que vagueiam no tempo e no espaço, em busca de um sentido para a vida. Em determinado momento, confunde-se, na mesma panela de pressão o criminoso traficante, o submisso consumidor de drogas, o miserável dos miseráveis. Lembro a figura do homo sacer (homem sagrado) aquele homem que vivia completamente totalmente abandonado nas ruas de Roma como registra o filósofo Italiano Giorgio Agamben. Interrompo este artigo porque estão batendo a minha porta no Pará, em busca de socorro.

Uma publicação dos leigos e das leigas da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – Ano 1 número 2

Uma vitória histórica

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável

Em meio a tantas lutas das organizações democráticas, de partidos políticos e dos setores progressistas do país, ocorre no Senado Federal uma noticia histórica: a Comissão de Constituição e Justiça aprovou por consenso a convocação de Eleições Diretas para a Presidência e para a Vice-Presidência dentro do período máximo de 90 dias. É a vitória da palavra de ordem Diretas Já que estava atravessada na garganta de milhões de brasileiros/as desde que o projeto de democracia alimentado cada qual em sua época por Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Miguel Arrais, Apolônio de Carvalho, Franco Montoro, Margarida Maria Alves, Maria Nilde Mascallani, e por tantos outros/as lutadores e lutadoras sociais foi paralisado pelas forças mais reacionárias do país. A Proposta de Emenda Constitucional aprovada na Comissão de Justiça segue agora para o plenário do Senado. Deverá ser aprovada agora pelo plenário do Senado que terá a oportunidade de se redimir perante a Nação, depois dos espetáculos de retrocesso que protagonizou durante o vigente e obscuro regime de Temer e dos seus seguidores.

Para que a vitoria da Democracia seja completa, é urgente e necessário que os movimentos sociais se reúnam e planejem um calendário de atividades que inclua amplos debates unitários e suprapartidários utilizando todos os espaços públicos disponíveis; desses debates, deve surgir o perfil do candidato ou da candidata considerado/a o/a o melhor possível para enfrentar a atual crise brasileira. Desde logo devem ser afastados da lista presidencial aqueles e aquelas comprometidos com casos de corrupção devidamente apurados pela operação lava jato, e por outras iniciativas democráticas.

Dermi Azevedo

São Paulo 1 de junho de 2017

Uma publicação dos leigos e das leigas da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – Ano 1