NEM A PRIMEIRA, NEM A ÚLTIMA.

Dermi Azevedo – Editor e Jornalista Responsável

A vitória da direita no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por quatro a três não terá sido nem a primeira nem a última, na tentativa dos golpistas de legitimarem o golpe dissimulado. Quem imaginava que os golpistas já estivessem satisfeitos com o sinal dado à opinião pública por meio do mini-golpe militar da Esplanada dos Ministérios, uma verdadeira ópera bufa, começa hoje a semana com uma sensação de visualizar a vitória da mediocridade da direita mais atrasada, somente menos atrasada do que aquela que dominou o país, com metralhadoras e fuzis, de 1964 a 1985. Quem imaginava que a eleição feita pelo TSE fosse até algo tranquilo, agora tem que reconhecer o poder real das forças e dos capitais direitistas. Tem que admitir também que a articulação da esquerda não foi suficiente para disputar palmo a palmo a sorte da chapa Dilma/Temer. É doloroso admitir, mesmo hipoteticamente, que tenha havido algum acordo para manter a elegibilidade de Dilma e a permanência de Temer no Palácio do Planalto. Até porque, se isso for verdade, deslegitima a ex-presidenta para representar o povo trabalhador em qualquer um dos Estados.

E agora?

O único caminho que nos resta é o do fortalecimento da mobilização e da unidade populares. É o de repetir encontros como o que foi promovido, na semana passada, pelas Pastorais Sociais da Arquidiocese de São Paulo e pelas Entidades de Direitos Humanos somando-se ainda a essa iniciativa, as Igrejas Membros do (Conic) Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – IECLB, Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, IEAB, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Ortodoxa, (CNBB) Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, além de outras Igrejas filiadas a CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço. Um passo também muito importante é o de buscar e divulgar informações alternativas junto às agências populares de notícias. Do mesmo modo, convém entrar em sintonia com as principais lideranças políticas e intelectuais do Brasil, ouvindo e levando à prática atenta e fiel às suas observações e diretrizes. Ao PT, PC do B e aos demais agrupamentos de esquerda, como principal tarefa, cabe fazer auto-crítica de sua atuação durante os governos de Lula e Dilma e reformular completamente as táticas e as estratégias de atuação. Finalmente, a cada militante, cabe o desafio de autoanalisar o seu papel e de não entregar os pontos. As nossas palavras de ordem continuam as mesmas: “O Povo Unido, Jamais Será Vencido”, “Fora Temer!” e “Nenhum Direito a Menos!”

 

São Paulo, 10 de junho de 2017.

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